Sociedade

REGIONALIDADE É
TEMA ESTUDANTIL

  DANIEL LIMA - 03/06/2026

Há muito tempo penso em escrever o que estou escrevo agora. A regionalidade do Grande ABC regional, mas não regionalista deveria ser matéria extracurricular no Ensino Superior. Já que há movimento de aproximação entre dirigentes de vários estabelecimentos de ensino,  acho que a proposta cairia como uma luva. O que chamaria de Clube dos Reitores, e o Diário do Grande ABC traz hoje como Fórum dos Reitores,  é a mesma coisa. Mas detectei vácuo programático na empreitada de reitores que precisa de reparos.

Nada que a sugestão a seguir subtraia o valor exposto pelos reitores. Diferentemente disso. Um coisa é uma coisa (regionalidade) e outra coisa (corporativismo produtivo em ideias e ações) é outra coisa. No caso, tanto uma coisa quanto outra coisa podem ser a mesma coisa. Mas ainda não se apresenta assim. Explico mais abaixo.

Não vou entrar em detalhes sobre o formato do curso extracurricular proposto. Mais importante é fazer com que os responsáveis pela aproximação das unidades de ensino plantem regionalidade entre jovens estudantes que, no futuro,  poderiam transformar esse buraco negro em ativo institucional.

Diria mais: como regionalidade é redundantemente especialidade de raros especialistas (na área econômica, indispensavelmente prioritária é ainda mais inexpressiva), também os reitores e assessores poderiam entender melhor o jogo de xadrez geral, porque estão longe de domina o conhecimento necessário. Sim, a regionalidade do Grande ABC é um jogo de xadrez. Muitos a tratam como simples dominó.

AGENDA ELEMENTAR

O que teria este jornalista a oferecer ao Clube dos Reitores para justificar a proposta de se dar à regionalidade no sentido mais amplo possível, e mais focada em Desenvolvimento Econômico? Teria agora uma penca de sugestões a levar adiante,  mas o mais importante mesmo é o plantio da ideia.

Precisamos formar gente que possa responder com conhecimento agregado o significado de regionalidade centrada neste espaço territorial compulsoriamente demandante dessa premissa. Como o tempo tem provado e reprovado.

A pauta extracurricular é extensa, instigante e com enorme potencial transformador.  Sugeriria, de imediato, 11 temáticas sobre as quais dedico vital atenção ao longo dos tempos.  Vejam a lista que está longe de completa:

1. MOVIMENTO SEPARATISTA.

2. INDÚSTRIA AUTOMOTIVA.

3. MOVIMENTO SINDICAL.

4. GUERRA FISCAL.

5. PLANO COLLOR.

6. FÓRUM DA CIDADANIA.

7. CLUBE DOS PREFEITOS.

8. PLANO REAL.

9. GOVERNO LULA.

10. GOVERNO DILMA.

11. RODOANEL. 

Esse grupamento temático é de longe o resumo da ópera que encaminha qualquer estudante à compreensão do que significa Grande ABC e o que significa regionalidade. Sem essas lições básicas, e ramais específicos de cada uma dessas temáticas, jamais o quesito regionalidade será compreendido e, mais que isso, permitiria fomentar atenção não só entre alunos como também professores e reitores. 

MOVIMENTO SEPARATISTA

Lamentavelmente não tenho dúvida em formular uma realidade regional que, aliás, embasa minha própria proposta: não temos cultura de regionalidade que possa desencadear qualquer movimento consistente e mudancista. Ou seja: não temos massa crítica em qualquer ambiente, público, privado, educacional e tudo o mais, que proporcione ganho de escala em abordagens que reforçariam principalmente o Clube dos Prefeitos nas articulações locais e também em esferas estadual e federal.

Entre os pontos realçados acima como base de aprendizado e aperfeiçoamento de regionalidade, o mais  grave e praticamente irreversível passivo é o movimento separatista de meados do século passado. A unicidade cedeu espaço à multiplicidade e ao divisionismo condenatório e de baixa produtividade. O municipalismo é questão de sobrevivência política. A integração regional é uma sucessão de espasmos com saldos sempre insuficientes.

Há como poucas vezes antes, e agora com mais constância,  uma dedicação maior dos sete prefeitos do Clube dos Prefeitos com determinadas pautas regionais. Isso é ótimo, mas será sempre pouco ante a imperiosidade de  atacar o centro da prioridade absoluta: uma agenda seletiva que faça do Desenvolvimento Econômico espécie de dogma. O peso alucinante do passado de desindustrialização virou metástase que fragiliza todo o organismo regional.

EXPANDIR PROJETO

Uma complementariedade ao engendramento de curso extracurricular de regionalidade poderia ser um intenso calendário que trataria da questão sem viesses sabotadores.  Debater regionalidade encabrestadas partidariamente e ideologicamente teria efeito contrário ao necessário.

Reconheço que é uma tarefa desafiadora evitar contaminações. Daí a importância de um comitê dirigente tecnicamente preparado para organizar formatos repletos de contraditórios férteis e instigantes.

A regionalidade levada a faculdades e universidades poderia ser estendida a escolas de Ensino Médio, com personalização da agenda. Na pior das hipóteses,  e isso vale ao conjunto de estudantes,  teremos despertado enormes possibilidades de compreender o Grande ABC na plenitude territorial e cultural. Bem diferente do que temos hoje. Poucos sabem muita coisa sobre o Grande ABC.  Uma pesquisa seria bombástica.

Não resisto a uma indagação: Quantos saberiam responder com quantos municípios se produz esta região? Sete municípios é resposta de poucos. Proporcionalmente algo semelhante ao escasso universo local de especialistas em regionalidade.  Repito que temos um deserto de regionalistas capacitados a entender a diferença entre regionalidade e regional.  Regionalidade é um time de futebol organizado coletivamente. Regional são camisas distintas à espera de identidade própria.

Repasso na sequência a reportagem completa do Diário do Grande ABC de hoje sobre o encontro de ontem dos reitores que já meteram a vestimenta de regionalidade, mas que talvez não se tenham dado conta de que ações corporativas, intramuros, precisam ser expandidas, como sugiro acima.  A regionalidade do Grande ABC passa obrigatoriamente pela sociedade do Grande ABC. E é esse o nosso calcanhar de Aquiles que torna a realidade destes tempos mais complexa do que a realidade dos tempos de Celso Daniel, precursor da integração regional no ambiente político-administrativo. 

REPORTAGEM DO DIÁRIO

Fórum de reitores debate parceria

entre universidades do Grande ABC 

O incentivo às parcerias entre as principais instituições de ensino do Grande ABC foi o tema central do terceiro encontro do Fórum Permanente de Reitores do Grande ABC, realizado na manhã desta terça-feira (2) no Campus Centro da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). O evento contou com a participação de representantes de oito universidades e faculdades da região.

Reitor da USCS, Leandro Prearo destacou a importância do Fórum para o Grande ABC. “Estou há muitos anos na educação superior e foram várias tentativas de fazer algum movimento de união ou de parceria entre as instituições. Já estar no terceiro (encontro) e ter um quarto marcado, nos deixa muito contentes nessa missão regional de desenvolvimento”, enfatizou o anfitrião. 

O diretor adjunto de Redação do Diário, Nilton Valentim, destacou a relevância das universidades para o desenvolvimento das cidades do Grande ABC. “A união das principais instituições de ensino proporciona a troca de experiências e contribui para o crescimento regional,” pontuou.

Na mesma linha foi a pró-reitora de Graduação do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Roseli Sarni, que manifestou o interesse em desenvolver projetos em conjunto com outras universidades da região. “Nós verificamos oportunidades, tanto na área do ensino, quanto na pesquisa em saúde, com estágios integrados e a extensão universitária,” declarou. 

No encontro, o Instituto Mauá de Tecnologia foi representado pelo reitor, Marcello Nitz; a Fundação Santo André, pelo vice-reitor, Rodrigo Cutri; a FEI, pelo reitor Vagner Barbeta; a Uninter, pela diretora Milene de Souza, a Fatej/Fadisa (Faculdade de Direito de Santo André), por Karina Braga; a Strong Business School, por Marco Antônio Frabetti, coordenador do curso se Direito; e o Senac São Bernardo, pelo diretor Darlan Rocha. 

APRESENTAÇÃO 

Prearo e sua equipe guiaram os participantes por vários departamentos do campus. Em cada parada, gestores dos cursos e alunos detalharam o funcionamento dos laboratórios, bem como a possibilidade de utilização dos espaços por professores e pesquisadores de instituições parceiras. “Temos aqui hoje representantes de duas faculdades de engenharia – Instituto Mauá de Tecnologia e FEI –, área que pode contribuir muito com o desenvolvimento de equipamentos para uso dos alunos de Medicina, por exemplo”, afirmou.  

Os participantes conheceram alguns dos laboratórios e espaços onde os alunos da USCS se preparam e atendem a comunidade. Iniciando pelo Inova USCS (Centro de Inovação Inova USCS para o Desenvolvimento Regional), laboratórios de metabolômica, biobanco e de pesquisa clínica – onde são realizados estudos com vacinas –, laboratórios de morfologia e de simulação realística, ambos no curso de Medicina. Visitaram também as clínicas de Estética, Odontologia e Fisioterapia. Além da farmácia escola e hospital veterinário. 

De acordo com reitor da USCS, a visita revelou que todas as instituições são importantes, mas nenhuma é maior que as demandas que existem para serem solucionadas na região, por isso, espera que os encontros e parcerias se multipliquem. “Sugeri que o próximo passo seja desenvolver grupos segmentados, pois não podemos perder o foco, desejo que essa iniciativa cresça e grandes projetos em união sejam desenvolvidos,” destacou.

O próximo encontro do Fórum de Reitores será no dia 5 de agosto, no campus da FEI, em São Bernardo.

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