PREFEITOS FICAM SEM
R$ 333 MILHÕES DE IPVA
Os sete prefeitos do bicho de sete cabeças chamado Grande ABC perderam no ano passado R$ 333 milhões em relação ao que receberam os sete prefeitos do bicho de sete cabeças em 1999, antes da chegada deste século. O valor se refere especificamente às transferências de valores correspondentes ao IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Bens Automotivos) e mostra com clareza os múltiplos danos no tecido econômico e social provocados pela desindustrialização.
Trocando em miúdos, o que temos é o seguinte: os valores monetários dos veículos automotores de todos os tipos que o Grande ABC registrava em estoque ativo em 1999 representavam uma riqueza sobrerrodas que não resistiu ao crescimento relativo maior da média geral do Estado de São Paulo. Metade do dinheiro arrecadado pelo governo de São Paulo com o IPVA é repassado proporcionalmente à arrecadação dos 565 municípios.
O valor exato da perda sobrerrodas do Grande ABC é de R$ 333.741.686 milhões numa comparação simples, ponta a ponta. O período intermediário, ano por ano, elevaria os valores à estratosfera. Essa é, portanto, a diferença monetária entre anos separados pelas extremidades e determinada pela participação relativa do Grande ABC no bolo de distribuição do IPVA em 1999 e 2025 – portanto nos últimos 26 anos.
QUEDA DE 41,23%
Os R$ 81.657.635 milhões nominais (sem efeitos inflacionários) que o Grande ABC de Celso Daniel e outros prefeitos recebeu em 1999 correspondia a 7,69% de todo o IPVA do Estado de São Paulo, de R$ 1.061.285.617 bilhão. Já na temporada de 2025, com os sete prefeitos atuais, o repasse anual correspondeu a 5,60% do balanço estadual – R% 892.676.932 milhões de R$ 15.948.226.507 bilhões.
Dessa forma, enquanto a variação nominal da arrecadação do Grande ABC registrou 993,19% no período, a média estadual alcançou 1.402,73%. A participação relativa do Grande ABC no IPVA caiu 41,23% no período. Um desastre nada surpreendente porque o empobrecimento começou antes e ainda não se encerrou.
Fizemos uma operação básica para chegar aos números que denunciam o enfraquecimento do Grande ABC. Um enfraquecimento que corre em linha paralela com tantos outros indicadores viscerais à compreensão do desastre que tem sido este século para a economia regional.
ORIGEM DO DESASTRE
Um desastre que de fato começou para valer antes mesmo da chegada dos anos 1990, quando o sindicalismo e a guerra fiscal formaram uma combinação que se tornaria mais grave com a abertura dos portos durante o governo Fernando Collor de Mello. E mais desastres vieram em seguida, com Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff. Tudo sob o silêncio geral e irrestrito de instituições da região. Mais que silêncio, em alguns setores, o triunfalismo ignorante quando não vadio quanto não covarde, quando não mistificado.
A operação que culminou na captura dos resultados consistiu em atualizar os números de 1999 com base na inflação do IPCA do IBGE a dezembro de 2025. Em números atualizados, portanto, o saldo do Grande ABC na arrecadação do IPVA chegou ao acréscimo de R$ 527.683.636 milhões por conta do aumento da frota de veículos e crescimento demográfico.
O crescimento real de 144,57% entre o ano 2000 e 2026 significou média anual de avanço de 5,56%. O resultado está muito abaixo do crescimento médio do Estado de São Paulo como um todo no mesmo período, que registrou 236,19%, com média anual quase o dobro da média regional, de 9,08% ao ano. É a diferença entre os dois espaços geográficos que determina o valor de perda de mais de R$ 333 milhões.
SEDES METROPOLITANAS
Como a média estadual nem sempre serve de base sustentável para colocar o Grande ABC em confronto com endereços municipais mais desenvolvidos, muitos dos quais beneficiários da guerra fiscal e da desindustrialização da região, nada melhor que pegar as três capitais metropolitanas do Interior do Estado de São Paulo como concorrentes e referenciais mais ajustados à realidade do período.
Nesse caso, a situação do Grande ABC na distribuição do IPVA é ainda mais desanimadora. Campinas, Sorocaba e São José dos Campos avançaram em arrecadação no mesmo período de 26 anos nada menos que 318,59% em termos reais, o que significa média anual de 12,25%, mais de duas vezes a média anual do Grande ABC.
Fiz as contas com cuidado para que não houvesse o menor risco de engano. Quem mais cresceu no período entre os três municípios que comandam as metrópoles interioranas foi Sorocaba. Já era esperado. Sorocaba tem dado surras constantes no Grande ABC. Mais especificamente em Santo André, concorrente com o qual mantém semelhança demográfica.
SOROCABA EXPLODE
A arrecadação de Sorocaba cresceu em termos nominais 1.877,34%, ante os 993,19% do Grande ABC. Santo André, no mesmo período, teve o bolo do IPVA aumentado em termos nominais em 975,77%. Metade de Sorocaba.
Sorocaba passou de R$ 14.169.531 milhões em 1999 para R$ 287.7722.842 milhões em 2025. Campinas cresceu menos no período, 997,12%, passando de R$ 44.169.531 milhões para R$ 538.913.815 milhões em 2025. Já São José dos Campos foi mal das pernas, mas tem números robustos: passou da arrecadação do IPVA de 14.667.708 milhões em 1999 para R$ 250.989.553 milhões em 2025.
No caso de Campinas e de São José dos Campos, que avançaram nominalmente muito menos que Sorocaba, houve durante o período um processo de descentralização em direção a vários dos municípios que integram aquelas regiões metropolitanas. Algo como, no passado, da cidade de São Paulo em direção ao Grande ABC.
Já no caso de Sorocaba, o crescimento econômico que se reflete na arrecadação do IPVA dos grandes endereços, existe maior absorção de investimentos e empregos quando comparados a Campinas e São José dos Campos.
MUITO SUPERIOR
No conjunto da obra, os três municípios de sedes metropolitanas saíram de arrecadação do IPVA em 1999 de atualizados R$ 459.603.357 milhões para R$ 2.054.335 bilhões. Numa comparação direta com os sete municípios do Grande ABC, o que temos é que em 1999 o total do IPVA de Campinas, Sorocaba e São José dos Campos correspondia a R$ 43.390.762 milhões e em 2025 saltou (sempre em termos nominais) para R$ 2.054.335 bilhões.
Quando se aplica a inflação do período de janeiro de 2000 a dezembro de 2026, aqueles três municípios alcançam a arrecadação de R$ 459.603.357 milhões em dezembro de 2025. Como o IPVA real arrecadado na temporada de 2025 registrou mais de R$ 2 bilhões, o crescimento para valer alcançou 346,98%. Que, divididos por 26 anos, aponta avanço médio anual de 13,34%.
A participação relativa de Sorocaba, Campinas e São José dos Campos no bolo do IPVA estadual passou de 7,62% para 10,30% -- de nominais R$ 73.390.762 milhões em 1999 para R$ 2.054.335 bilhões em 2025. Um crescimento relativo de 35,17% ante a queda de mais de um terço dos valores reais do Grande ABC.
Se o Grande ABC de 2025 fosse resultado do crescimento real médio de Campinas, Sorocaba e São José dos Campos no período de 26 anos, os sete prefeitos locais teriam recebido no ano passado como repasse do IPVA nada menos que R$ 1.641.887 bilhão. O resultado significaria um acréscimo de R$ 749.211 milhões sobre o repasse real destinado ao Grande ABC.
Quem ainda duvidar dos efeitos da desindustrialização, basta passear por aquela região e verificar com os próprios olhos quantas logomarcas industriais que frequentavam ambiente do Grande ABC no passado estão lá vivíssimas, gerando riqueza e renda num processo de retroalimentação inversamente proporcional ou não ao esvaziamento do bicho de sete cabeças que não cansam de bater cabeças porque bater cabeças é o resultado lógico de quem não tem cabeça para entender o significado de regionalidade para valer.
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